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Quem vive nos grandes centros urbanos tem sua rotina marcada por episódios relacionados à questão da violência e, não raro, já foi vítima de algum tipo de crime. A despeito dos avanços conquistados pelos governos, através das ações das forças de segurança, ainda estamos distantes de um quadro que pode ser considerado de normalidade. O Brasil é um país violento: convivemos com taxas inacreditáveis, cujos registros apontaram mais de 53 mil crimes violentos letais e 50 mil estupros em 2013. Tão preocupante quanto o número de pessoas vitimadas é a naturalização da violência. Afinal, a cada 10 minutos, uma pessoa é morta no país. A violência se tornou algo tão natural quanto epidêmico.

Nesse quadro preocupante, as polícias têm sido alvo de cobranças e de críticas. Tenho a percepção de que as pessoas tendem a culpar a polícia quando são vítimas de um crime. Certamente, o raciocínio é o seguinte: se houve o crime é porque a polícia foi incapaz de evitá-lo. Sem querer transferir a responsabilidade pra quem quer que seja, cabe destacar a importância do papel das instituições que compõem o Sistema de Justiça Criminal. É notório que as polícias não são capazes de enfrentar, sozinhas, a complexa questão da Segurança Pública. Há que se ressaltar também a modestíssima participação do governo federal na área de Segurança Pública, embora o tema tenha recebido grande destaque na campanha eleitoral do ano passado. Um assunto tão importante que igualmente é ignorado pelo parlamento federal. Lamentavelmente, essa pauta não está em Brasília.

A sensação de medo sentida pelos cidadãos nas ruas chega, então, às empresas, porque essas causas externas acabam impactando o dia a dia das pessoas, seja no trajeto de casa ao trabalho ou quando se volta ao lar. Sabemos que a Segurança Corporativa atua, fundamentalmente, através de ações planejadas que visam a garantir a integridade do pessoal, instalações e bens tangíveis, além da segurança da informação e, mais recentemente, o conceito de proteção da imagem da organização.

 Há, contudo, uma ação indispensável a ser desenvolvida pelo gestor da Segurança Corporativa: a integração com os órgãos de Segurança Pública.

A troca de informações e eventuais parcerias com as unidades das Polícias Militar e Civil, além das Guardas Municipais, podem representar um passo importante na redução de riscos que correm os colaboradores, especialmente, no entorno do local de trabalho. Caso algum profissional seja vítima de um crime tem que ser encorajado a registrar o fato na Delegacia de Polícia mais próxima. Esses registros vão ser fundamentais para que as polícias planejem suas ações; no caso da Polícia Militar, as ações preventivas e operações de repressão; no caso da Polícia Civil, a necessária investigação da autoria do crime.

Outra medida que tem apresentado uma resposta positiva nas organizações são os treinamentos do pessoal em segurança, a partir da premissa de que a segurança dentro de uma instituição tem que ter a participação e engajamento de todos.

Tenho tido a oportunidade de realizar palestras em muitas empresas e sempre destaco o papel fundamental e a responsabilidade que os cidadãos têm na Segurança Pública. É possível reduzir a possibilidade de entrar para as estatísticas da violência, adotando regras básicas que envolvem atenção, mudança de hábitos e o preparo para conviver com a realidade presente nos centros urbanos.

 

Coronel Frederico Caldas

MBA em Gestão da Segurança Pública, pela FGV/RJ

Pós Graduado em Gestão da Segurança nas Organizações